Os Loucos Anos 20

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Os Loucos Anos 20

Mensagem por Coruja em Sab Nov 25, 2017 1:40 am



Os loucos anos 20

   Os Anos 20 foram caracterizados pelos grandes avanços tecnológicos pós-guerra e revoluções sociais, ao mesmo tempo que pela sua contraditoriedade; ao mesmo tempo que muitos viviam na fartura e prosperidade, muitos viviam na pobreza e miséria extrema. Ao mesmo tempo que as tradições conservadoras lutavam pra permanecer intactas, florescia o desejo de mudar os valores e se libertar. Essa época de um caos luminoso, polêmicas escandalosas e muito glamour ficou conhecida como Os Loucos Anos 20.

Contexto Histórico

   Cada período de prosperidade foi o resultado de uma mudança no cenário global. As mudanças na década de 1920 ocorreram em parte como resultado da conclusão da Primeira Guerra Mundial, que foi um tanto vantajosa aos Estados Unidos; os empréstimos de recursos financeiros e exportação de produtos para que as nações europeias se mantivessem na guerra, e ainda as indenizações exigidas dos países perdedores (que não eram poucas), já que participou da guerra mesmo intervindo apenas no final, futuramente levaram o país a alcançar a condição de grande potência econômica. Como consequência direta, na maior parte da década de 20 os Estados Unidos viveu num período de prosperidade e fartura, centrado na área urbana, causando um grande impacto não só nas tecnologias como também na cultura.

Costumes

   Falar sobre os costumes dos anos 20 não é algo fácil, visto que não há apenas um, então façamos isso por partes. 
   A primeira parte é o conservadorismo: parte da população dos anos 1920 mantinham o pensamento e comportamento conservadores, onde os casamentos eram na maior parte das vezes arranjado, onde a donzela era exposta e lhe seria prometido um pretendente rico, e ocorria cedo, ainda antes dos 20 anos; as relações íntimas eram secretas, falar sobre sexo era um tabu e a afeição em público era mal vista. O homem era o patriarca da família, aquele que trabalhava e sustentava seus filhos e mulher, que por sua vez, era submissa e devota ao homem e comprometida às tarefas domésticas e cuidados aos filhos e marido.  Uma sociedade xenofóbica, com aversão aos imigrantes e outras etnias e raças, e homofóbica, totalmente aversiva à relações homoafetivas, fazendo com que a pequena população LGBT existente se mantivesse sempre acuada.
  A outra parte é a parte liberal, onde a população luta pelo direito de se expressar e se libertar das correntes tradicionais, em especial as mulheres, que inclusive conquistaram o direito ao voto em 1920. Os casais passaram a ser mais abertos a demonstrar afeição em público e conversar sobre sexo e intimidades, o sexo casual começou a ser cogitado, o matrimônio não precisava acontecer tão cedo. Devido à guerra e os homens mobilizados pela mesma, as mulheres passaram a trabalhar profissionalmente, inclusive em cargos que normalmente eram ocupados por homens, para poder sustentar a família, mudando a visão patriarcal que a sociedade impunha. Passaram a ganhar visibilidade, frequentar bares noturnos, dançar mais livremente,  dirigir seus próprios carros, beber bebidas alcoólicas e fumar em público; estas mulheres eram chamadas de melindrosas, consideradas muito à frente de seu tempo. Nesta parte da sociedade dos anos 20, as casas de chá são substituídas pelos cabarets e clubes norturnos; as pessoas são menos rigorosas com os imigrantes, apreciando-os principalmente nas artes ascendentes, e os casais homoafetivos sentem mais liberdade para se expor.
   Realmente, loucos anos 20, não?

Vestuário

   Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu a um filme dos anos 20 e não achou elegante as mulheres vestidas com seus vestidos de franja até os joelhos e chapéus com brilhos e plumas, e os homens com seus paletós impecáveis e cartolas dançando jazz em pares nas noites regadas a risadas e alegria de Nova Orleans! Assim como tudo em 1920, a moda também teve suas evoluções, em partes revolucionárias, em outras, não tanto, mas ainda assim notáveis.

Cavalheiros

   Sempre bem barbeados, com os cabelos curtos bem aparados e penteados para trás, bigodes curtos e bem feitos; os homens da década de 1920 eram vaidosos assim, e faziam sucesso entre as mulheres - e os pais delas. Paletós de cintura, lapelas ainda maiores; as camisetas do traje a rigor eram feitas de linho engomado, as abotoaduras, de madrepérola ou couro, e era costume usar um lenço no bolso do paletó como adorno. As gravatas eram finas ou borboletas, coloridas, e os sapatos de couro, bicolores; as meias xadres também eram comuns. Para a noite a escolha era o smoking em tons de azul ou cinza escuro, gravata e meias combinando e um lenço branco no bolso esquerdo do paletó. O ponto alto do vestuário masculino dessa época eram os chapéus, variando entre as cartolas, chapéus arredondados e chapéus palheta até bonés ou até a ausência de qualquer adorno na cabeça, estes últimos comuns aos de classe média menor. Em ocasiões não tão formais, era comum que os cavalheiros usassem trajes mais esportivos, mas ainda assim, sem perder a classe e elegância. Os relógios de bolso também eram muito vistos, assim como um charuto pendendo dos lábios dos cavalheiros. Um grande nome da moda masculina foi o estilista Jean Patou.

Damas

   Em seus primeiros anos livres dos espartilhos impostos até o século XIX, a moda feminina quase que se reinventou; agora, era mais leve e liberal. Os vestidos eram mais comuns de serem encontrados no tecido cetim, e agora eram mais decotados, exibiam mais o colo, as pernas e as costas e o comprimento encurtara até os joelhos, para facilitar os movimentos de dança do jazz e charleston, podendo ou não ter franjas finas, para tornar as danças ainda mais encantadoras; além disso, a cintura das vestimentas descem para o quadril, diminuindo a visibilidade das curvas femininas. Para o dia eram preferidas as cores mais claras, tons de bege e branco, enquanto que para à noite os pretos e vermelhos eram os preferidos. As pernas, embora livres, eram cobertas com meias cor de pele, e nós pés sapatos confortáveis e não muito altos, de cores bem escuras; sobre os cabelos geralmente escuros, ondulados e cortados na altura das orelhas, eram colocados chapéus justos enfeitados com fitas, flores e outros desenhos, ou numa ocasião mais festiva, com plumas e muitos brilhos. Haviam também os longos e elegantes colares de pérolas que adornavam o pescoço das mais abastadas, assim como os óculos escuros, usados uma vez ou outra num passeio à praia ou a uma casa de chá. Junto à liberdade dos espartilhos veio também o costume de usar maquiagem; a maquiagem da época era forte, as pálpebras eram pintadas de cor escura enquanto os lábios eram tingidos em tons de vermelho, principalmente o carmim, delineados em forma de arcos ou corações. As mulheres sempre procuravam manter a pele bem branca, natural ou artificialmente, e as sobrancelhas costumavam ser tiradas e desenhadas à lápis. A androginia também se fazia presente na moda feminina, desafiando os padrões de beleza predefinidos, com o intuito de mostrar que sim, elas também podiam fazer o que os homens faziam; prova disso é o costume que as melindrosas adotaram de usar corpetes que reprimiam o seio e iam até os quadris, escondendo suas curvas. O mais célebre nome da moda feminina dos anos 20 foi, sem dúvida, Coco Chanel, uma estilista criativa e revolucionária que, por sinal, inspirava muitas das suas criações no guarda roupa masculino.

Ciências e Tecnologia

   O período durante e pós primeira guerra foi de suma importância para o surgimento das ciências e das novas tecnologias, assim como o aprimoramento e popularização daquelas já existentes, tendo alguns marcos históricos na década de vinte, como por exemplo:
   • A "invenção" do rádio em 1921, sendo a primeira vez em que eram transmitidas vozes;
   • A criação do gira-discos, ou em outra palavra, vitrola, em 1920, ideia originalmente concebida por Thomas Edison e seu gramafone;
   • A estreia do cinema falado em 1927, com o filme O Cantor de Jazz;
   • A descoberta da penicilina em 1928 por Alexander Fleming;
   • O primeiro protótipo de televisão em 1920 por John L. Baird, e a reprodução satisfatória de imagens em 1925;
   • A aceitação da teoria do Big Bang como explicação para a origem do universo.

Cultura

Música

   • Ah, a música dos anos 20! Quem consegue ficar parado ao som do famoso jazz, não é mesmo? Se você é que não, imaginem as pessoas que viviam nessa época! Surgiu entre os anos de 1890 e 1910 em nossa amada Nova Orleans, tendo suas raízes na música negra americana, tomando o Blues como inspiração, e os instrumentos que tornam tal ritmo tão marcante e agitado são o saxofone e o trompete. É marcada pela improvisação musical, e seu ritmo contagiante logo se popularizou por todo o país, agradando aos ouvidos de muitos. As vozes populares do jazz são as de Billie Holiday, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Sarah Vaughan, dentre muitas outras.
   • Como uma boa música exige uma boa dança, temos então o Charleston, uma dança vibrante e divertida com movimentos rápidos de pernas e braços. Em junção ao jazz, essa dupla contagiante fez as noites de Nova Orleans, tanto nos clubes noturnos quanto nas festas de rua.
   • Uma personalidade que vale ressaltar é a da norte americana Josephine Baker, considerada a primeira grande estrela negra das artes cênicas. Embora tenha alçado sucesso em Paris, a mulher teve grande influência sobre os Estados Unidos com seus movimentos de dança eróticos e sua bela voz, chocando os conservadores com todo seu erotismo e tendências nudistas ao mesmo tempo que agradando à muitos, muitos olhos...

Cinema

   Os cinemas faziam o lazer de multidões; era estimado que se vendessem mais de 60 milhões de bilhetes por semana nos Estados Unidos! Era o destino de muitos passeios, principalmente de casais. 
   Conhecida como o início da era de ouro do cinema americano, os anos 20 realmente reluziram na cinematografia. Em sua grande parte fizeram sucesso os filmes mudos, trazendo legendas que narravam as ações e diálogos, e as projeções eram acompanhadas por música ao vivo, fazendo com que toda sala de cinema tivesse espaço para um pequena orquestra, ou ao menos um piano. Após a inauguração do cinema falado em 1927 isso não foi mais preciso, porém os filmes "mudos" continuaram fazendo sucesso entre os filmes falados.
   Foi uma época marcada pelas comédias americanas, que procuravam principalmente levantar os ânimos pós-guerra, e a criação dos gêneros, filmes com temas e estruturas repetidas.; o gênero do faroeste foi um sucesso, aproveitando os cenários californianos. 
     Esta foi uma década onde se revelaram e surgiram muitos astros e estrelas, tais como:
   • Charles Chaplin, a mais conhecida figura do cinema mudo, caracterizado por utilizar da mímica em suas projeções;
   • Clara Bow, uma atriz norte americana que estreou mais de 50 filmes, alçando sucesso com a comédia It;
   • Greta Garbo, outra atriz norte americana que aguçou a curiosidade dos americanos por sua personalidade misteriosa;
   • Rodolfo Valentino, um italiano e verdadeiro galã dos anos 20.
   A produção cinematográfica da época era alta, mas alguns nomes se destacaram mais que outro, como:
   • A comédia A Corrida do Ouro, dirigido e estrelado por Charles Chaplin, 1925 (mudo);
   • O drama O Fantasma Da Ópera, de Rupert Julian, 1925 (mudo);
   • O suspense O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, 1920 (mudo);
   • O romance O Sheik, dirigido por George Melford e estrelado por Rodolfo Valentino, 1921 (mudo);
   • O musical O Cantor de Jazz, de Alan Crosland, 1927 (falado).
     Não podemos esquecer também das animações, que se revolucionam na década de 20 com O Gato Félix, lançado em 1919 porém fazendo sucesso em 1920, e com a estréia de Steamboat Willie em novembro de 1928, este onde estrelava ninguém mais, ninguém menos que o nosso tão querido Mickey Mouse.

Arte

   • O dadaísmo, embora surgido em 1916, continuava em alta nos anos 20 e valorizava o absurdo e as críticas e sátiras sociais, onde eram utilizados elementos totalmente inusitados para se fazer arte; suas principais figuras eram Marcel Duchamp e Max Ernst. O dadaísmo vinha com a intenção de quebrar com as correntes da tradição e chocar a sociedade burguesa nos tempos de guerra.
   • Já o surrealismo é um movimento realmente nascido nos anos 20, ou mais precisamente, em 1924, e tinha como característica a valorização das experiências oníricas, a exploração do imaginário dos sonhos e o inconsciente como uma forma de imaginação. Assim como o movimento dadaísta, rejeitava os valores e padrões impostos pela sociedade burguesa, causando impacto na sociedade e transmitindo a sensação do surreal. Os principais nomes surrealistas são Salvador Dahlí e René Magritte.
   • Há, ainda, o Art Deco, movimento de caráter decorativo que abrange várias áreas, desde o design de interiores até o próprio cinema. Surgiu em 1925 em Paris, mas só ganhou força nos Estados Unidos no final dos anos 20. É um movimento que representou a adaptação da sociedade, criando design para esculturas, jóias e construções, dentre outras várias coisas, todos geometrizados; trazia um ar de modernidade e era visto de uma forma elegante, funcional e ultramoderno para o seu tempo.

Curiosidades

Na década de 20 já existia:


- o telefone com fio (a linha telefônica privada era quase exclusiva aos ricos);
- o telefone com fio público (funcionavam à base de moedas);
- o toca discos (vitrola);
- o rádio;
- fones de ouvido (porém só foram ser comercializados nos anos 30);
- câmera fotográfica;
- fotografia colorida (obviamente, de baixíssima qualidade);
- disco de goma laca - 78 RPM - (rodavam em toca discos e armazenavam gravações de até três minutos, de cada lado);
- tatuagem (embora fossem bem raras!);
- o cinema;
- automóveis

Na década de 20 NÃO existia:

- telefone sem fio;
- disco de vinil - 33 e 45 RPM -;
- câmera de reprodução instantânea (polaroid);
- computador;
- headphone

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Re: Os Loucos Anos 20

Mensagem por Coruja em Sab Nov 25, 2017 10:12 pm



Trama

New Orleans, a cidade mais sobrenatural dos Estados Unidos, onde bruxos e não mágicos, convivem na mesma cidade, compartilhando de sua boemia. O Congresso Mágico de New Orleans, em pacto com a MACUSA, fechou um contrato em que os bruxos residentes de New Orleans, jamais feririam os não mágicos, nem deixaria expor sua magia. Ainda assim os não mágicos sempre souberam do encanto da cidade, já que ao atravessar a rua, tinha uma pequena loja de ervas, e a senhora que ali trabalhava, era muito requisitada para preparar simpatias para as madames que jamais poderiam ser vistas dentro de um lugar como esse. O ar envolve magia, e mesmo aos olhos nu de não mágicos, poderia passar abatido, como a boate clandestina "Cabra Manca" que de fora era apenas um galpão pequeno, e por dentro, uma enorme casa de Jazz, com criaturas dançantes, Gangster e Melindrosas compartilhando do único lugar sem lei, sem rivalidade, sem se esconder.

Um simples Hospital de acidentes mágicos, em meio a um hospital trouxa. Um Congresso Mágico mascarado em um prédio de advogados. Uma sede de Jornal, que apenas os bruxos conseguiriam notar, e assim conviviam mágicos e não-mágicos, como se simplesmente, a existência de um, fosse invisível ao outro, como deveria ser.

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